domingo, 4 de março de 2012

Draco Doraki

É um poderoso Drakenae (Clique AQUI para ler mais sobre Dakenaes), de uma das famílias mais importantes de sua espécie.

Sendo assim, pode assumir tanto a forma humana, quanto a forma de um dragão.


Aparência Humana23 anos 1,90m. Pele clara e músculos bem definidos, boa aparência. Cabelos negros cobrindo as orelhas e uma parte da nuca, bem cortados, mas despenteados, barba mal feita, olhos azuis, lábios relativamente finos.Tem a “Marca da Proteção” no peito.
Possui duas cicatrizes. Uma linha esbranquiçada corta sua sobrancelha esquerda, descendo por seu olho, atravessando a bochecha, terminando pouco antes de alcançar o maxilar, onde a barba mal feita marca presença. Há outra, consideravelmente menor no canto, também esquerdo, de seus lábios, um pouco mais funda na parte superior, tornando-se mais suave à medida que desce, quase chegando ao queixo. É um homem um tanto quanto misterioso e confuso. É quase sempre sério e sarcástico.
 Dragão de quase 5 metros, quatro patas bem articuladas, par de asas um pouco antes das patas dianteiras, pescoço alongado e tórax largo.

Garras afiadas negras como ônix, olhos amarelados. Possui quatro pares de chifres na cabeça, interligados por uma membrana arroxeada-translúcida, e um sozinho entre as narinas. Espinhos de mesma cor percorrem toda sua coluna e a cauda até a ponta. Escamas que se parecem com jóias -safiras-, com exceção do abdome, que possui uma grossa couraça um pouco mais clara. As cicatrizes aparecem nessa forma também.

Annabelle Karyn

Ilustração de Anne Stokes
Conhecida por Anne, a jovem moça cresceu na pequena Vila de Noderclift, com sua mãe Lucinda, sua tia, Ofélia e um jovem rapaz, Daniel, seu melhor amigo.
Ilustração de Celtic Botan
Annabelle tem 19 anos, 1,68m orelhas levemente pontiagudas. Corpo esguio e bem definido. Cabelos escuros, longos e com ondas largas e sinuosas até a cintura. Pele pálida, olhos cinzentos e vívidos; nariz delicado, lábios carnosos e rosados. Possui uma marca no colo (entre o pescoço e os seios) conhecida como “Marca da proteção”. Tem uma curiosa ligação com  flora e fauna, em especial com cavalos. Tem grandes dificuldades para se enturmar com o resto da sociedade, especialmente em travar novos conhecimentos, fato que se acentua com a morte da mãe, tornando-a ainda mais introvertida e um tanto quanto apática. É curiosa e tem mente crítica, mas não os expressa. É apaixonada por leitura, contos, mitos e lendas, tendo quase sempre um livro em mãos.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Oblata - Capítulo 1

Bom, queridos agnitellurianos, prometi mudanças, e mudanças vocês terão.
Venho lhes apresentar o que, talvez, seja o começo de uma nova aventura.

"A Oblata" é o novo projeto de "Ana Macedo", dessa vez muito mais perto da nossa realidade.
 A história relata a vida de Eliza, uma garotinha de 8 anos que não é uma criança comum. Desde seu nascimento a garota apresenta alguns sintomas tidos como "esquisitos" por todos médicos em que ela se consulta. Mas tudo se complica quando aos seis anos a menina aprende a voar, despertando grande interesse de pessoas perigosas.



" Capítulo 1
 Aos olhos de qualquer pessoa, aquilo não passava de um assalto. Uma garotinha de cabelos castanhos e desgrenhados corria de um par de homens engravatados, que tentavam, sem sucesso, passar pela multidão apressada.
 Era uma segunda feira e aquela era a Avenida Paulista. Para uma garotinha pequena, magricela e esperta, aquele era o melhor lugar para fugir de uma perseguição. Ela tentava pensar como se fosse apenas uma brincadeira de pega-pega. Mesmo que fosse difícil, isso lhe ajudava a espantar o pavor que dificultava sua respiração.
 Essa era a vantagem da pequena Eliza. Com seus oito anos, podia esquivar-se mais eficientemente entre as pessoas devido ao seu tamanho. Se conseguisse afastar-se cerca de dez metros dos brutamontes, provavelmente não seriam capazes de encontrá-la. Forçou suas pernas e parou de pedir licença – falar só lhe tirava o fôlego e delatava sua localização mais facilmente – passando só a empurrar as pessoas e esgueirar-se por elas.
 Passou por entre as pernas de um homem alto, que a olhou confuso, mas ela não notou. Precisava fugir. Precisava sair dali.
 Um amontoado de gente saia de um dos bancos, provavelmente para almoçar. Seu estômago gemia de faminto, mas ela não podia pensar nisso agora. Se fosse pega, suas preocupações seriam bem piores do que a fome.
 Olhou para trás, procurando seus perseguidores, e não pôde encontrá-los. Isso era o suficiente. Segurou com força a bolsa que carregava e o coelhinho de pelúcia, que sempre carregava consigo, virou o corpo, num movimento brusco, e, sem diminuir o ritmo de sua corrida desenfreada, entrou em uma rua menos movimentada. Correu ainda alguns metros, e quando já estava parando uma mão gélida puxou-a para o lado, jogando-a para dentro de algum lugar.
 Eliza perder o equilíbrio, tropeçou nas escadarias, bateu de joelho em um degrau e foi jogada alguns metros adiante. Ouviu a porta bater, abafada pelo pulsar de ser coração, que parecia bater forte por todo seu corpo. Suas pernas, seu joelho, seus pés, sua cabeça, seus ouvidos, sua garganta... seu peito. Tudo parecia confuso. Seus olhos permaneceram fechados e ela chorava baixinho, sentindo o liquido quente de cheiro metálico escorrer por seu joelho machucado e sua testa.
 O que ela tinha feito para merecer tudo isso? Queria apenas ser uma criança normal, como todas as outras, que só corriam para não apanhar dos pais ou brincar com os amigos. Por que ela tinha que correr desses homens estranhos? Por que era tudo tão confuso e por que havia tanta dor?
 As mãos frias voltaram a encontrar sua pele, tocando-a muito suavemente, analisando o machucado em sua testa.
- Desculpe por isso – a voz era de um menino, uma criança, assim como ela – é que eles já estavam alcançando essa rua, e fiquei com medo que pudessem te ver – Eliza perguntou-se como ele sabia disso, e como tivera tanta força para puxá-la para dentro, mas estava fraca, cansada e dolorida, então preferiu não manifestar nenhuma objeção.
Se ele dizia a verdade, estava mais segura ali, onde que quer “ali” fosse, do que na rua.
 Eliza deixou a bolsa cair no chão, e apertou Coronel Bunny com força. Que bom que ele ainda estava ali."



E ai agnitellurianos, o que acharam?

ATENÇÃO: só estou postando aqui, porque amanhã já recebo os direito oficiais sobre o texto, então, eu não me arriscaria a copiar sem permissão.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Novidades, Novidades.

Queridos agnitellurianos,
 Estou aqui para dizer que, como podem perceber, sujeitei o blog a algumas mudancinhas...
Entre elas:
- Mudança de Layout
- Parcerias
- Postagens
É, essas são as principais.

Fiz isso porque percebi que não é justo querer que vocês me acompanhem sempre, quando só libero capítulo novo para vocês a cada 60 dias... O que, cá para nós, É MUITO TEMPO.
Pretendo postar algumas novidades de edição, publicação e lançamento, quotes, inspirações, músicas, playlists, imagens, e até alguns textinhos random que eu tenha escrito, ou comentários sobre livros e filmes que eu tenha visto, e que surtiram algum efeito no livro.
Mas, quero deixar bem claro que o conteúdo postado não sairá da proposta do blog, que é divulgar "Lágrima de Fogo", então, por favor, não peçam coisas mirabolantes.
 Bom, acho que é isso, por enquanto...
Para os que ficaram com saudades da imagem do antigo BG, o problema está resolvido: deleitem-se com a foto.

O 4º Capítulo está previsto para meados de março.
 Obrigada mais uma vez, e, por favor, digam o que acharam (;

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Capítulo 3 – Um anjo

Annabelle
Pude sentir meu cabelo todo desgrenhado da pequena corrida com Pauline. Passei minhas mãos pela crina escura da égua baia, indo à direção ao pelo macio de seu pescoço e o acariciei, sem conseguir evitar um riso ao vê-la relinchar suavemente, ainda com um sorriso bobo no rosto, pulei da cela sem segurar as rédeas. Pauline era mais esperta e confiável do que todas as pessoas que conhecia. Bem, quase todas. Havia três pessoas que eu confiava, além da égua parada a minha frente. Sei que isso deveria deprimir-me, mas apenas me fez rir.
Tirei da pequena bolsa da cela um pedaço de cenoura, Pauline pareceu muito contente com o presente. Acariciei a parte frontal de seu rosto sem pressa, em seguida dei-lhe sua recompensa.
- Vamos que nosso dia será muito longo – peguei a rédea, mesmo sabendo que se não a pegasse seria seguida do mesmo jeito, e virei-me abruptamente para o caminho da casa de minha tia, o que me fez trombar com alguém. Teria caído em uma enorme poça de lama, se braços fortes não tivessem alcançado minha cintura a tempo.
Olhei para cima, para o rosto do desastrado que quase conseguiu destruir meu dia, um palavrão apontado na língua. Então vi aqueles cabelos louros desgrenhados e mal cortados... A pele queimada pelo sol, os braços fortes, sorriso largo no rosto e aqueles intensos olhos verdes. Sorri e soltei um xingamento que o fez rir. Antes que eu pudesse me recompor ele estava me abraçando.
- Como está bonita nossa querida mal educada. – seus olhos brilhavam como os de uma mãe ao ver o filho dar os primeiros passos. Havia tanta ternura naquele abraço, tanto carinho, que toda solidão e aflição que sentira naquele dia sumiram. – estava crente que me abandonaria hoje.
- Como está galante nosso querido desajeitado – disse enquanto recompunha-me, sem conter o riso – sabia desde o começo que eu viria. Nunca quebro uma promessa... – o jovem a minha frente torceu e nariz e franziu o cenho, e então me dei conta que teria que reformular a frase, e, um pouco sem graça, o fiz – Não uma feita com você.
Um novo sorriso fez-se presente no rosto do rapaz, tão vivo e sincero como antes, mas desta vez, era também divertido.
- Sinto-me honrado – sua voz tinha uma espécie de tom falsete grave e rouco, segurei-me para não cair na gargalhada enquanto ele fazia uma demorada reverência.
Estar perto de Daniel simplesmente me fazia bem. Como se nada no mundo pudesse me atingir, como se nada, nunca mais, fosse fazer-me triste. Mesmo sendo falsa, a impressão era maravilhosa. A sensação de seu abraço era morna e confortável.
Ele pegou minha mão, seu toque suave, e começamos a andar rumo à casa de minha tia, seguidos por Pauline.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Capítulo 2 – Lembranças

Annabelle
Após a estranha sensação que a ausência do Sol causara-me pela manhã cedo, não pude levar este dia como os demais. Algo estava errado e eu sabia disso. Alimentei os cavalos do barracão mais apressada e dispersa que o de comum, demorando-me um pouco mais apenas com Irina e Lill, que não me pareceram muito bem na noite anterior. Ainda assim, não era o suficiente. Limpei o estábulo sem dar a devida atenção aos cavalos, o que mais tarde, admito, pesou em minha consciência. Mesmo enquanto limpava a casa, não fui capaz de afastar a sombra e a ventania momentânea que me causaram tamanho tormento mais cedo, mas, como havia muito que fazer, tentei não pensar de mais.
Terminando as tarefas, lembrei-me da festa na vila. Não havia nem resquício de ânimo em meu corpo, porém havia prometido limpar a casa de minha tia, e, mais importante, prometera a Daniel que o acompanharia na festa. Não podia quebrar uma promessa. Não uma feita com Dan.
Sua imagem encheu minha mente. Aqueles olhos esmeralda, sempre alegres e cheios de esperança. Às vezes chegava a duvidar que Daniel fosse como as outras pessoas. Não havia um só ser que não adorasse estar em sua companhia, entretanto, ele sempre preferia estar ao meu lado. Ao lado antipática garota de longos cabelos negros, segundo Daniel, a garota mais bonita de todo o mundo.
É claro que sua opinião não era exatamente confiável quando dizia respeito à minha pessoa. Senti um aperto em meu peito ao pensar que nunca poderia retribuir o sentimento que ele tinha por mim. Carinho e admiração. Era tudo que eu sentia por Daniel. Para mim, sempre fora como um irmão mais velho, um anjo da guarda talvez, mas a idéia de imaginá-lo como homem sempre fora bizarra para mim.   
Suspirei pesadamente e peguei dois livros da estante, os únicos que ainda não tinha lido. Passei pelo pano que separava os dois cômodos e abri o guarda-roupa. Peguei, sem muita escolha, meu vestido verde com a barra dourada e a túnica negra bordada com o mesmo tipo de fio para combinar. Era provavelmente meu melhor conjunto. Coloquei, porém, somente a túnica negra sobre meu vestido branco e maltrapilho. Antes da festa, teria ainda muito trabalho.
Suspirei novamente ao notar quão monótona era a casa desde que minha mãe partira. Fechando a porta do antigo guarda-roupa virei-me vagarosamente, analisando minha pequena e solitária casa.
A madeira da cama velha rangia toda vez que eu me sentava e os remendos da coberta precisavam ser refeitos. A imagem de minha mãe costurando-os enquanto eu pulava na cama com uma panela na cabeça fez-me sorrir, ao mesmo tempo em que uma lágrima rolou pelas maçãs de meu rosto.
O armário velho era sustentado por uma pilha de madeiras quebradas, que escondiam sob si um pequeno alçapão. Abafei um riso quando as lembranças me tocaram... Quanta história poderia caber dentro dessa pequena casa?
Havia duas cadeiras ao lado do armário, uma de lado para a outra, acompanhando a parede. Sobre a encostada no armário, havia uma pequena pilha com vestidos. Dois deles em tons pastéis, um branco, um vermelho, um negro e dois azuis. Quase sorri ao pensar nos mimos... mas logo lembrei-me que eram por pena, o que me fez cerrar os pulsos. Sobre a outra havia alguns livros, porém, nas costas desta havia uma capa azul, bordada em dourado, assim como o da túnica que trajava agora.
Na cabeceira da cama, havia outra cadeira, que suportava outro livro, e uma vela apagada. Precisaria de velas novas. E de livros novos. Talvez a festa, afinal, tivesse vindo em boa hora.
Apenas duas janelas neste cômodo eram mais que o suficiente para iluminá-lo durante o dia.
Com o vestido verde em meu antebraço, afastei o lençol velho e remendado que separava os dois cômodos. Neste havia três janelas. Era a parte mais bem construída, imagino que isto se deva ao fato de que minha mãe passava a maior parte do tempo aqui. Esta lembrança não me fez sorrir.
Era relativamente grande. Com um fogão à lenha, uma mesa com duas tinas e sabão, um armário debaixo desta com panelas e cumbucas. Mais ao centro, uma mesa quadrada e conservada, apesar do árduo uso, com quatro cadeiras, de mesmo caráter, ao seu redor. Do outro lado, havia de frente para a lareira um sofá de palha revestido de grossas camadas de couro, que o fazia muito confortável. Como no outro cômodo, havia livros por toda parte.
Olhei para a parte que mais me agradava. Perto da porta havia uma estante, provavelmente o móvel mais fino da casa. Era uma estante cheia de livros, com madeira trabalhada e, em alguns pontos, trabalhada a ouro. Fora o último presente que minha tia dera à minha mãe antes que ela se fosse... Ao lado da estante, havia um alaúde. Resisti ao ímpeto de levá-lo junto comigo, e por fim decidi-me que quanto menos levasse, melhor seria.
Deixei um dos livros sobre a mesa, juntei o outro ao vestido em meu antebraço e fui à direção à porta, esta estava aberta. Parei e olhei-a. Uma velha cadeira estava na varanda, junto á um pano velho que era usado de tapete. Havia passado tão bons momentos ali... Impedi que os pensamentos se prolongassem. O aperto em meu peito já me causava grande incomodo.
Quando cruzei a porta ouvi um relinchar abafado, que quase me fez chorar. Minha companhia me esperava então me apressei.

sábado, 5 de novembro de 2011

Capítulo 1 - A vida é sonho

Noderclift, 19 anos depois.


Annabelle 
Estavam ambos, majestosos, no céu sobre mim. O verde cuspiu uma chama azulada na fera de cor marrom, que se lançou em direção ao pescoço do anterior, abocanhando-o subitamente. A criatura rugiu e sangue escuro e viscoso espirrou pelo céu manchando ambas as criaturas. O verde tentou resistir. Debateu-se. Mas a besta marrom parecia maior, e mais forte. Ainda assim o primeiro não se daria por vencido. Voou numa velocidade inacreditável em direção ao chão, passando suas garras com toda força ao redor do marrom e cravando-as, de modo que este rugiu estrondosamente.
Tanto sangue.
Eles não conseguiriam se separar, um não libertaria o outro. Mas nenhum deles morreria sozinho. Nenhum deles aceitaria a derrota.
Eles debatiam-se, tentando ferir um ao outro o máximo possível, enquanto voavam velozmente rumo ao chão. A colisão certamente aconteceria.
Então um forte vermelho alaranjado tomou conta de minha visão, mas aquilo, definitivamente, não era sangue. O calor uniu-se a estranha cor e juntos causaram-me uma sensação desagradável, porém quase habitual para mim. E o desconforto forçou meu despertar.
Abri os olhos vagarosamente, tentando evitar o choque da luz cegando-os momentaneamente.
Em vão.
Eu precisaria voltar a dormir em minha cama, caso quisesse diminuir a dor causada em meus olhos pelo Sol logo de manhã, mas a sensação de ser acordada por seu calor causava-me estranhos conforto e segurança... Era essencialmente calmo e sereno.
O céu estava claro e límpido como era de se esperar. Um azul hipnotizador, enodoado vez ou outra por claras nuvens macias e acetinadas que se desvaneciam ao passo que a leve brisa soprava calma.
Sentei-me na rede, fechei meus olhos mais uma vez e respirei fundo o ar daquela manhã. Tanta coisa a ser feita. Estiquei-me em direção a um galho um pouco mais alto, e sem folhas, onde a lamparina de gás estava pendurada e apaguei a fraca chama. Alonguei meus braços para o alto, emitindo um som semelhante a um ronronar ao espreguiçar-me, causando um leve balançar na rede. Aproveitei o impulso e, sorrindo, pulei no chão. Como sempre, ajoelhando-me para amortecer a queda.
Teria que arrumar um novo modo de ir para cama... Subir quase seis metros numa grande árvore de poucos galhos baixos não estava sendo exatamente suficiente, ou prático, mas a rede amarrada nesta altura da árvore e, na outra ponta, numa antiga árvore seca e tortuosa, me parecia a coisa mais segura fora da barraca em que eu supostamente deveria morar.
Caminhei alguns metros pela mata fechada até encontrar uma clareira, e no centro desta, a casa. Continuei andando em sua direção, ouvi relinchares ao passar ao lado de um barracão notavelmente maior que a cabana. Isso me fez sorrir. Devem estar famintos, precisaria passar ali em breve. Adentrei a casa, peguei a primeira jarra que estivesse ao meu alcance e sai novamente. Puxei um dos vestidos lavados do varal improvisado e dirigi-me ao riacho mais próximo.
**
O céu permanecia sereno sobre minha cabeça. A solidão me parecia uma companhia maravilhosa. O som da água correndo vagarosamente, dos pássaros nas poucas árvores a beira do riacho. Era tudo o que se fazia necessário.
Sabia que não haveria ninguém além de mim ali, ainda assim, olhei cautelosamente ao meu redor antes de despir-me.
O líquido era límpido, quase cintilava com o reflexo do Sol e seu azul assemelhava-se ao do céu, a água parecia tão calma que a julguei preguiçosa. Corria lenta, quase como se não quisesse se separar daquele lugar. Ajoelhei-me sorrindo e lavei meu rosto. Senti a água fria escorrer por minha testa e bochechas, e depois seu gotejar por meu pescoço. Repeti o processo duas ou três vezes, não me recordo bem, e voltei a postar-me de pé. Fechei os olhos para sentir melhor a brisa bater em meu rosto, possuía um típico e delicioso cheiro de orvalho da manhã, inspirei fundo aquele aroma, quase como se a natureza falasse comigo por meio dele. Se o fizesse, estaria com certeza sorrindo e dando-me um muito bom dia.
Entrei receosa na água fria, pé ante pé, e quando a água já batia em minha cintura, algo passou sobre minha cabeça. Mesmo que por alguns segundos, o Sol havia sido bloqueado por alguma coisa. Um arrepio percorreu minha espinha e o frio chegou antes do vento: uma lufada de ar gelado, extremamente forte, contrastando por completo a brisa fresca e suave, quebrada pela luz quente.
Fiquei imóvel esperando aquilo passar, e passou quase tão rápido como veio, deixando apenas o frio e um mau pressentimento, que permaneceram, como se cada célula do meu corpo, gritasse que havia algo errado. Não entendia o que havia sido aquilo.
Não pude me banhar calmamente. Cada gota e todo sopro pareciam-me fora do lugar. Era como se me alertassem dizendo que havia algo estranho, que algo estava muito errado. E eu sabia que estava. Tratei de lavar o vestido do dia anterior e vestir o seco rapidamente, enchi a jarra que levara comigo, e caminhei para casa, tentando afastar de minha mente aquela sensação assustadora.